Ex-ateu Lee Strobel entrevista ex-judeu (religião) Louis S. Lapides

Entrevista com: Louis S. Lapides, mestre em teologia

Normalmente, a igreja seria um lugar natural para questionar alguém a respeito de uma questão bíblica. Mas quando me sentei na companhia do pastor Louis Lapides no santuário de sua congregação, logo após o culto dominical matutino, senti que havia algo diferente ali. Aquele cenário, com bancos e vitrais, não era exatamente o lugar onde normalmente encontraríamos um jovem judeu de Newark, Nova Jersey.

Mas era esse o seu histórico. Para alguém com uma herança dessas, saber se Jesus era o Messias tão esperado vai muito além da teoria. É algo muito pessoal, por isso procurei Lapides para ouvir a história de sua investigação particular dessa questão crítica.

Lapides é formado em teologia pela Universidade Batista de Dallas e é mestre em teologia do Antigo Testamento e em estudos semíticos pelo Seminário Teológico Talbot. Serviu durante dez anos nos Chosen People Ministries, falando de Jesus a estudantes judeus. Lecionou no departamento de Bíblia da Biola University e trabalhou durante sete anos como instrutor nos seminários da Walk Through the Bible. É também ex- presidente de uma rede nacional de 15 congregações messiânicas.

Lapides é magro, usa óculos, tem a fala serena, mas sorri com facilidade. Foi com muita simpatia e polidez que ele me conduziu a uma cadeira próximo da entrada da Beth Ariel Fellowship, em Sherman Oaks, na Califórnia. Eu não queria começar logo de imediato a discutir nuanças bíblicas; em vez disso, pedi-lhe que me narrasse a história de sua jornada espiritual.

Ele cruzou as mãos sobre o colo e fitou as paredes de madeira escura por um momento, enquanto pensava por onde começar. Depois, passou a contar uma história extraordinária que nos levou de Newark para Greenwich Village, do Vietnã a Los Angeles, do ceticismo à fé, do judaísmo ao cristianismo, de um Jesus sem importância ao Jesus Messias.

— Como você sabe, vim de uma família judia — disse ele inicialmente. — Freqüentei uma sinagoga conservadora durante sete anos em preparação para o bar mitzvah. Embora considerássemos os estudos preparatórios muito importantes, a religião de minha família não afetava muito nossa vida cotidiana. Não deixávamos de trabalhar no sábado; nem sequer seguíamos a dietakasher.

Ele sorriu.

— Porém, nos dias santos, íamos à sinagoga mais ortodoxa, porque meu pai achava que era ali que tínhamos de ir se quiséssemos levar Deus realmente a sério!

Quando interrompi para perguntar o que seus pais haviam lhe ensinado sobre o Messias, Lapides foi lacônico.

— Nunca tocaram no assunto — disse ele sem se alterar. Era inacreditável. Achei que não havia entendido.

— O senhor quer dizer que o assunto nem sequer era discutido? — perguntei.

— Nunca — ele reiterou. — Não me lembro nem mesmo de estudar a questão na escola judaica.

Era surpreendente.

— E quanto a Jesus? — perguntei. — Falavam a respeito dele?

Mencionavam seu nome?

— Só pejorativamente — respondeu Lapides. — Basicamente, nunca discutíamos sobre ele. Minhas impressões sobre Jesus formaram-se pelo que eu via nas igrejas católicas: a cruz, a coroa de espinhos, o lado perfurado, o sangue escorrendo da testa. Não fazia sentido para mim. Por que adorar um homem crucificado com pregos nas mãos e nos pés? Nunca achei que Jesus tivesse alguma relação com o povo judeu. Para mim, ele era o deus dos gentios.

Eu suspeitava que as atitudes de Lapides em relação aos cristãos tinham ido além de mera confusão sobre sua fé.

— O senhor achava que os cristãos estavam na raiz do anti- semitismo? — indaguei.

— Víamos os gentios como sinônimo de cristãos, e éramos instruídos a ser cautelosos, porque poderia haver anti-semitismo entre os gentios — disse ele com um tom um tanto diplomático.

Procurei aprofundar um pouco mais a questão.

— O senhor diria que acabou desenvolvendo algumas atitudes negativas em relação aos cristãos?

Dessa vez, ele não pesou as palavras.

— Foi de fato o que aconteceu — disse ele. — Na verdade, quando o Novo Testamento me foi apresentado pela primeira vez, mais tarde, achava que seria simplesmente um manual básico de anti-semitismo: como odiar os judeus, como matá-los, como massacrá-los. Achava que o Partido Nazista Americano poderia utilizá-lo tranqüilamente como manual.

Balancei a cabeça, triste em saber quantas crianças teriam crescido achando que os cristãos eram seus inimigos.

Começa a busca espiritual  

Lapides conta que vários incidentes minaram sua fidelidade ao judaísmo durante sua fase de crescimento. Curioso acerca dos detalhes, pedi-lhe que se estendesse um pouco mais, e ele de imediato passou a falar do que foi claramente o episódio mais doloroso de sua vida.

— Meus pais se divorciaram quando eu tinha 17 anos — disse ele, e, surpreendentemente, depois de todos esses anos, dava ainda para perceber a mágoa em sua voz. — Foi como uma punhalada na fé que eu trazia no coração, fosse ela do jeito que fosse. Pensei: “Onde é que Deus entra nisso? Por que não procuraram aconselhamento com um rabino? Para que serve a religião se, na prática, é incapaz de ajudar as pessoas?” Era óbvio que ela era incapaz de preservar o relacionamento dos meus pais. Quando se separaram, senti como se tivesse perdido uma parte de mim. Além disso, no judaísmo, eu não sentia que tivesse uma relação pessoal com Deus. Participei de inúmeras cerimônias e tradições muito bonitas, mas era o Deus distante e alienado do monte Sinai que dizia: “Eis aqui a minha lei; viva por ela, e você se dará bem. Até mais tarde”. Eu, então um adolescente com os hormônios em ebulição, me perguntava: “De que modo Deus participa das minhas dificuldades? Será que ele me considera um indivíduo?” Eu achava que não.

O divórcio deu lugar a um tempo de rebelião. Seduzido pela música e influenciado pelos escritos de Jack Kerouac e Timothy Leary, Lapides passou muito tempo nos barzinhos de Greenwich Village e não tinha tempo para a escola, tornando-se refém da bebida. Em 1967, estava do outro lado do mundo, a bordo de um navio cuja volatilidade da carga — munições, bombas, foguetes e outros explosivos — fazia dele um alvo tentador para os vietcongues.

— Lembro-me de que fomos informados no Vietnã de que “20% de vocês provavelmente serão mortos, e os outros 80% vão contrair alguma doença venérea ou ficarão viciados em bebidas alcoólicas ou drogas”. Minhas chances de voltar normal não chegavam a 1%. Foi um tempo terrível. Vi muito sofrimento. Vi companheiros voltando para casa em caixões. Vi a devastação causada pela guerra. E encontrei anti-semitismo entre alguns fuzileiros. Uns que eram do Sul até queimaram uma cruz, certa noite. É possível que eu quisesse distanciar-me da minha identidade judaica, e talvez por isso comecei a envolver-me com religiões orientais.

Lapides lera livros sobre filosofias orientais e visitara templos budistas quando passou pelo Japão.

— Fiquei extremamente incomodado com o mal que vi e tentei descobrir como a fé pode enfrentá-lo — ele me disse. — Eu costumava dizer: “Se existe um Deus, não me importa se o encontro no monte Sinai ou no monte Fuji. Vou ficar com ele de qualquer jeito”.

Ele sobreviveu ao Vietnã, voltando para casa viciado em maconha e planos de se tornar sacerdote budista. Tentou levar o estilo de vida ascético de autonegação, esforçando-se por se livrar do carma ruim das más ações do passado, mas logo percebeu que nunca conseguiria compensar tudo o que fizera de errado.

Lapides ficou em silêncio por algum tempo.

— Fiquei deprimido — ele continuou. — Lembro-me de tomar o metrô e pensar: “Talvez atirar-me nos trilhos seja a resposta. Eu podia ficar livre desse corpo e fundir-me com Deus”. Estava muito confuso. Para piorar as coisas, comecei a experimentar LSD.

À procura de um novo começo, ele decidiu mudar para a Califórnia, onde continuou sua busca espiritual.

— Fui a encontros budistas, mas eles eram vazios — ele contou. — Os budistas chineses eram ateus, os budistas japoneses adoravam estátuas de Buda, o zen-budismo era muito difuso. Fui a reuniões da cientologia, mas eles eram muito manipuladores. Os hindus acreditavam que os deuses cultivavam todas essas orgias loucas e em deuses que eram elefantes azuis. Nada disso fazia sentido; nada me satisfez.

Ele chegou até a acompanhar amigos a reuniões com características satanistas.

— Eu olhava e pensava: “Tem algum poder em ação aí, e não é um poder bom”. Mergulhado em meu mundo alucinado por drogas, eu dizia aos meus amigos que acreditava que existe um poder maligno que é maior que eu, que pode agir em mim, que existe como entidade. Tinha visto mal suficiente na vida para crer nisso.

Olhou para mim com um sorriso irônico:

— Creio que aceitei a existência de Satanás antes de aceitar a de Deus.

“Não consigo crer em Jesus”

O ano era 1969. A curiosidade de Lapides levou-o a visitar Sunset Strip para ver um evangelista que se acorrentara a uma cruz de dois metros e meio de altura, para protestar contra os donos de bares que tinham conseguido proibi-lo de trabalhar nas ruas. Ali, na calçada, Lapides encontrou alguns cristãos que começaram uma discussão sobre coisas espirituais com ele.

Com certa arrogância, começou a esbanjar filosofia oriental. — Não existe Deus lá em cima — ele dizia, apontando para o céu. — Nós somos Deus. Eu sou Deus. Vocês são Deus. Vocês só precisam aceitar isso.

— Bem, se você é Deus, por que não cria uma pedra? — alguém lhe perguntou. — Faça alguma coisa aparecer. É isso o que Deus faz.

Lapides, com a mente anuviada pelas drogas, imaginou que estava segurando uma pedra.

— Muito bem, então vejam, aqui está uma pedra — ele disse, estendendo a mão vazia.

O cristão zombou dele.

— Essa é a diferença entre você e o Deus verdadeiro — ele disse.

— Quando Deus cria algo, todos podem vê-lo. É objetivo, não subjetivo.

Isso calou fundo em Lapides. Depois de pensar no assunto por algum tempo, disse a si mesmo: “Quando eu encontrar Deus, ele terá de ser objetivo. Estou cheio dessa filosofia oriental que diz que está tudo na minha mente e que posso criar minha realidade. Deus deve ser uma realidade objetiva se quiser ter significado além da minha imaginação”.

Quando um dos cristãos mencionou o nome de Jesus, Lapides tentou se desvencilhar com sua resposta padrão:

— Sou judeu. Não posso crer em Jesus. Nisso um pastor entrou na conversa.
— Você conhece as profecias sobre o Messias? — ele perguntou.

Lapides foi apanhado desprevenido.
— Profecias? Nunca ouvi falar delas.

O pastor deixou Lapides perplexo, citando algumas predi-ções do Antigo Testamento. “Um momento!”, pensou. “Ele está citando minhas Escrituras hebraicas! Como Jesus pode estar nelas?”

Quando o pastor lhe ofereceu uma Bíblia, Lapides se manteve cético.

— O Novo Testamento está aí dentro? — perguntou. O pastor fez que sim com a cabeça. — Está bem, vou ler o Antigo Testamento, mas não vou nem abrir o Novo — disse.

Novamente ele ficou surpreso com a resposta do pastor.

— Está bem. Leia apenas o Antigo Testamento e peça ao Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de Israel, que lhe mostre se Jesus é o seu Messias. Porque eu sei que ele é. Ele veio primeiro para o povo judeu, para depois se tornar o salvador do mundo.

Para Lapides, essas eram informações novas. Informações intrigantes. Informações surpreendentes. Ele voltou ao seu apartamento, abriu o Antigo Testamento no primeiro livro, Gênesis, e se pôs a procurar Jesus entre palavras que tinham sido escritas centenas de anos antes de o carpinteiro de Nazaré ter nascido.

“Transpassado por causa das nossas transgressões”  

— Não demorou muito — Lapides relatou — e eu estava lendo o Antigo Testamento todos os dias e encontrando uma profecia após outra. Por exemplo, Deuteronômio falava de um profeta maior que Moisés, que viria e a quem deveríamos dar ouvidos. Pensei: “Quem pode ser maior que Moisés?”. Tudo indicava que se tratava de uma referência ao Messias; alguém tão grande e respeitado como Moisés, mas um professor maior, com autoridade maior. Agarrei-me nisso e continuei procurando por ele.

Lapides foi avançando pela Escritura, até ficar paralisado por Isaías 53. De modo claro e específico, numa predição assombrosa envolta em bela poesia, aqui havia um quadro de um Messias que haveria de sofrer e morrer pelos pecados de Israel e do mundo; tudo escrito mais de 700 anos antes de Jesus andar pela terra.

Foi desprezado e rejeitado pelos homens,
um homem de dores e experimentado no sofrimento.
Como alguém de quem os homens escondem o rosto,
foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima.
Certamente ele tomou sobre si
as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças;
contudo nós o consideramos castigado por Deus,
por Deus atingido e afligido. Mas ele foi transpassado
por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa
de nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe paz
estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.
Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos,
cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho;
e o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.
Ele foi oprimido e afligido; e, contudo, não abriu a sua boca;
como um cordeiro foi levado para o matadouro,
e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada,
ele não abriu a sua boca. Com julgamento opressivo ele foi levado.
E quem pode falar dos seus descendentes? Pois ele foi eliminado
da terra dos viventes; por causa da transgressão
do meu povo ele foi golpeado. Foi-lhe dado um túmulo com os ímpios,
e com os ricos em sua morte, embora não tivesse cometido
nenhuma violência nem houvesse nenhuma mentira
em sua boca [...].
Pois ele levou o pecado de muitos,
e pelos transgressores intercedeu (Is 53.3-9,12). 

Lapides reconheceu o quadro imediatamente: era Jesus de Nazaré! Agora ele estava começando a entender as pinturas que vira nas igrejas católicas em que entrara quando criança: Jesus sofredor, Jesus crucificado, Jesus que ele agora percebia que tinha sido “transpassado por causa das nossas transgressões”, que “levou o pecado de muitos”.

Os judeus no Antigo Testamento procuravam pagar por seus pecados por meio de um sistema de sacrifícios de animais, mas aqui estava Jesus, o supremo Cordeiro sacrificial de Deus, que pagou pelo pecado de uma vez por todas. Aqui estava a personificação do plano de redenção de Deus.

Essa descoberta foi tão estupenda, que Lapides podia chegar apenas a uma conclusão: era uma fraude! Ele concluiu que os cristãos tinham reescrito o Antigo Testamento e distorcido as palavras de Isaías para fazer como se o profeta tivesse previsto a vinda de Jesus.

Lapides se propôs a desmascarar a fraude.

— Pedi à minha madrasta que me enviasse uma versão do Antigo Testamento em hebraico, para que eu mesmo pudesse comprová-lo — ele me disse. — Ela enviou, e adivinhe! Descobri que lá dizia a mesma coisa! Agora eu tinha mesmo de encarar o fato.

Jesus é judeu 

Uma após outra Lapides encontrou profecias no Antigo Testamento; mais de 48 predições, no total. Isaías indicou o modo do nascimento do Messias (de uma virgem); Miquéias mostrou o lugar do seu nascimento (Belém); Gênesis e Jeremias especificaram sua ascendência (descendente de Abraão, Isaque e Jacó, da tribo de Judá, da família de Davi); os Salmos predisseram a traição que sofreria, sua acusação por testemunhas falsas, o modo da sua morte (transpassado nas mãos e nos pés, apesar de a crucificação ainda não ter sido inventada) e sua ressurreição (ele não se decomporia, mas ascenderia ao céu), e assim por diante. Cada uma dessas profecias retirou um pouco do ceticismo de Lapides, até finalmente ele sentir-se disposto a dar um passo drástico.

— Decidi abrir o Novo Testamento e ler apenas a primeira página — ele disse. — Com as mãos tremendo, lentamente virei as páginas de Malaquias para Mateus, olhando para o céu, para ver se algum raio iria me atingir!

As primeiras palavras de Mateus pareciam saltar da página:

“Registro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão…”.

Os olhos de Lapides se arregalaram quando lembrou a primeira vez em que leu essa frase.

— Pensei: “Incrível! Filho de Abraão, filho de Davi”: estava tudo se encaixando! Passei para as narrativas do nascimento e, veja só: Mateus está citando Isaías 7.14: “A virgem ficará grávida e dará à luz um filho”. Depois vi que ele citava o profeta Jeremias. Fiquei ali pensando: “Você sabe, todos estes são judeus. Onde entram os gentios na história? O que está acontecendo aqui?” Não consegui mais parar de ler. Li os quatro evangelhos e entendi que eles não eram o manual do Partido Nazista Americano; era a ação de Jesus no meio da comunidade judaica. Passei para o livro de Atos e — incrível! — eles estavam discutindo como os judeus podiam contar a história de Jesus aos gentios. Os papéis estavam invertidos!

As profecias cumpridas foram tão convincentes que Lapides começou a dizer aos seus conhecidos que achava que Jesus era o Messias. Na época, isso era uma mera possibilidade intelectual para ele, mas as implicações eram muito sérias.

— Entendi que, para aceitar a Jesus em minha vida, teria de haver algumas mudanças significativas na maneira como eu estava vivendo — explicou. — Teria de encarar de modo diferente as drogas, o sexo etc. Eu não tinha entendido que Deus me ajudaria a fazer essas mudanças; achava que eu mesmo tinha de limpar a minha vida.

Epifania no deserto

Lapides e alguns amigos partiram para o deserto de Mojave. Espiritualmente ele se sentia em meio a um conflito. Tivera pesadelos com cães atacando-o de várias direções ao mesmo tempo. Sentado entre os arbustos do deserto, lembrou-se das palavras que alguém dissera em Sunset Strip: “Ou você está do lado de Deus ou do lado de Satanás”.

Ele cria na corporificação do mal; e não era desse lado que queria ficar. Assim, Lapides orou: “Deus, tenho de chegar ao fim desta luta. Tenho de saber sem sombra de dúvida se Jesus é o Messias. Preciso saber se tu, como Deus de, Israel, queres que eu creia nisso”.

Enquanto me contava a história, Lapides hesitou, sem saber como pôr em palavras o que aconteceu em seguida. Ficou em silêncio alguns momentos. Depois disse:

— O melhor que posso dizer daquela experiência é que Deus falou objetivamente ao meu coração. Ele me convenceu, de modo experimental, de sua existência. E naquele instante, lá no deserto, eu disse em meu coração: “Deus, eu aceito a Jesus em minha vida. Não entendo o que devo fazer com ele, mas eu o quero. Consegui estragar a minha vida; preciso que o senhor me transforme”.

E Deus começou a fazer isso, em um processo que continua até hoje. Ele explicou:

— Meus amigos sabiam que minha vida tinha mudado e não conseguiam entender como. Eles diziam: “Alguma coisa aconteceu com você no deserto. Você não quer mais saber de drogas. Há algo diferente em você”. Então eu respondia: “Bem, não sei explicar o que aconteceu. Tudo o que sei é que há alguém na minha vida, e é alguém santo, justo, que é fonte de pensamentos positivos sobre a vida, e eu me sinto muito bem”.

Essa última frase parecia dizer tudo.

— Eu me sinto inteiro, novo, de um modo como nunca me senti antes — ele enfatizou para mim.

Apesar das mudanças para melhor, ele estava receoso de dar a notícia aos seus pais.

Quando finalmente o fez, as reações foram mistas.

— No começo ficaram felizes porque viam que eu não era mais viciado em drogas e dava a impressão de estar muito melhor emocionalmente — recordou. — Mas a reação foi contrária quando entenderam a causa dessas mudanças. Eles se retraíram, como se dissessem: “Por que tem de ser Jesus? Não podia ser outra coisa?”. Não sabiam o que fazer com a notícia.

Com uma ponta de tristeza na voz, acrescentou:

— Acho que eles ainda não sabem o que fazer.

Por meio de uma seqüência memorável de circunstâncias, a oração de Lapides por uma esposa foi respondida quando encontrou Débora, também judia, que seguia a Jesus. Ela o levou à sua igreja — cujo pastor era o mesmo que muitos meses antes, em Sunset Strip, desafiara Lapides a ler o Antigo Testamento.

Lapides riu.

— Foi incrível! Ele ficou de boca aberta quando me viu entrar na igreja!

Essa congregação estava cheia de ex-motoqueiros, ex-hippies e ex- viciados da Strip, junto com vários sulistas transplantados. Para um jovem judeu de Newark que era tímido para se relacionar com pessoas diferentes dele, por causa do anti-semitismo que temia encontrar, era confortador poder chamar essa multidão multicor de “irmãos e irmãs”.

Lapides casou-se com Débora um ano depois de se conhecerem. Desde então nasceram dois filhos. E do trabalho deles nasceu Beth Ariel Fellowship, um lar para judeus e gentios que estão encontrando restauração em Cristo.

Fonte: Livro Em Defesa de Cristo – Jornalista Ex-ateu Investiga as Provas da Existência de Cristo – Strobel, Lee

2 Comments

  1. Hosting disse:

    ‘Como Jesus se tornou Deus’ e uma analise bem fundamentada e interessante sobre a evolucao da cristologia nos primeiros seculos da cristandade, que monta um panorama de como um humilde e carismatico pregador judeu da Galileia foi exaltado ao status divino supremo. Um livro necessario para cristaos que desejam conhecer melhor as origens das crencas de sua fe, para religiosos nao cristaos que desejam entender quem foi Jesus ou mesmo agnosticos e ateus que desejam conhecer um pouco das descobertas e conclusoes que fizeram do autor, antes um cristao fundamentalista norte-americano, um historiador agnostico que esta dentre os mais influentes criticos da interpretacao tradicional que as igrejas cristas fazem do novo testamento.

  2. Juliana Palomares disse:

    Que lindo testemunho, como seria bom se todas as pessoas que se sentissem com duvidas a respeite de sua “fé” orassem e pedissem pra Deus revelar a elas se Jesus Cristo é realmente o verdadeiro Messias.
    Com certeza, um coração quebrantado não ficará sem respostas… Juliana Palomares

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